A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram a Operação Dominus em 28 de outubro de 2026. A ação investiga uma organização ligada ao Comando Vermelho que, segundo os órgãos, controlava a venda de gás em comunidades.
A apuração começou na comunidade do Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, e depois alcançou outros locais dominados pela facção. Segundo o delegado Pedro Brasil, a investigação identificou uma atuação que não se limitava àquela comunidade.
Os mandados foram cumpridos em São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e em bairros da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Taquara. Entre os alvos citados pela polícia estão Adriano Pereira Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Playboy, e Edgar Alves de Andrade, o Doca.

A investigação apura suspeitas de organização criminosa e extorsão relacionadas à comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP). A polícia também identificou uma estrutura com funções comerciais, logísticas e de controle territorial, além de indícios de uso de empresas de fachada e pessoas interpostas.
Operação Dominus: mandados, prisões e investigados
Na Operação Dominus, as equipes saíram para cumprir nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 350 milhões e o sequestro de bens ligados aos investigados.
No balanço informado pela polícia, quatro pessoas tinham sido presas e outras quatro foram detidas em flagrante. Entre os alvos, Adriano Pereira Vasconcelos Junior, o Junior Playboy, é apontado pelos investigadores como principal articulador e coordenador do grupo.
Segundo o delegado Pedro Brasil, Junior Playboy teria uma fornecedora de gás e obrigava empresários a comprar os produtos da empresa. O delegado também afirmou que ele se associava a integrantes de destaque do tráfico.
Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca e apontado como chefe do Comando Vermelho, também estava entre os alvos. De acordo com Pedro Brasil, Junior Playboy teria ajudado Doca a escapar de uma operação ao reservar uma casa para ele.
Como funcionava o controle da venda de gás
Segundo a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), o grupo usava o domínio armado do tráfico para controlar a comercialização e restringir a concorrência. Comerciantes eram pressionados a comprar apenas de fornecedores indicados ou a pagar valores periódicos, chamados de “metas do gás”.
As cobranças e a obrigação de revender botijões adquiridos dos fornecedores do grupo encareciam o produto para os moradores. Em algumas comunidades, o preço chegava a R$ 150 por botijão.
O delegado Pedro Brasil descreveu dois núcleos na organização: um empresarial, responsável pelo fornecimento, pela cobrança das metas e pela expansão territorial, e outro armado, formado por traficantes que ameaçavam empresários para obter adesão. Segundo ele, estabelecimentos que resistiam chegaram a ser vandalizados.
Para reconstruir o esquema, os investigadores analisaram dados armazenados em mídias usadas por um dos principais suspeitos e identificaram comunicações entre pessoas ligadas à atividade comercial, à arrecadação e ao tráfico. A apuração também apontou o uso de empresas registradas em nome de terceiros, sobretudo nos setores de distribuição de gás e construção civil, para ocultar patrimônio e dar aparência legal aos valores.


